Já imaginou que a mitologia grega pode não ser tão mitológica assim? Deuses e semideuses coexistindo com os seres humanos ainda nos dias de hoje? O autor Rick Riordan imaginou, e escreveu uma série amada por muitos jovens... mas talvez não tão original assim.
(Esse artigo vai falar sobre os cinco principais livros da série Percy Jackson e os Olimpianos. São eles: O Ladrão de Raios, O Mar de Monstros, A Maldição do Titã, A Batalha do Labirinto e O Último dos Olimpianos, excluindo assim os livros adicionais Os Arquivos do Semideus e Semideuses e Monstros e também a outra série dos Olimpianos chamada Os Heróis do Olimpo.)
De volta às resenhas de livros, amigos leitores, e acabei decidindo, além do dia novo das publicações (domingo), os estilos de livros que postarei por vez. Pensei em falar em um domingo sobre uma leitura mais densa, como por exemplo livros mais dramáticos e adultos e até mesmo não literários, e no domingo seguinte uma literatura mais jovem, fantasiosa, lúdica. Começamos então pelo segundo estilo.
O fim da série Harry Potter chegou com amargura na vida dos pottermaníacos como eu, no ano de 2007, e eu já teria que me adaptar com a vida de órfão de J.K. Rowling. Pra amenizar , lá pelos meados de 2010 resolvi iniciar a série de livros Percy Jackson e os Olimpianos, uma promessa de substituição na questão de livros fantasiosos. Importante ressaltar aqui que essa série, bem como várias outras que se podem enumerar aqui no blog, só se tornou conhecida do grande público e só ganhou espaço nas livrarias após o lançamento da (terrível!) adaptação do primeiro livro para o cinema, em 2010, sendo que esse livro, O Ladrão de Raios, já havia sido escrito em 2005. Deixo para o futuro um questionamento sobre os benefícios e malefícios dessa dependência que alguns livros têm das adaptações cinematográficas para se tornar conhecidas, pois já vi que esse assunto rende (vide comentários sobre o post da série Harry Potter).
Vamos a um resumão da saga toda, leitores!
O livro é contado com narração em primeira pessoa, sob a ótica de um garoto chamado Perseus Jackson, mais conhecido como Percy. No começo da história, descobrimos que ele é um menino disléxico, que sofre com problemas de déficit de atenção, o que o leva a obter notas baixíssimas em vários colégios regulares dos Estados Unidos. No entanto, em poucas páginas, uma tremenda reviravolta acontece em sua vida, e ele já precisa utilizar de habilidades que não sabia que possuía para se salvar de monstros que o perseguem, sem entender ao menos o por quê.
A verdade é que Percy é um semideus grego, filho de Poseidon. Isso mesmo! Aliás, nessa história, os deuses gregos ainda existem, nunca deixaram de existir, apenas mudaram o local do seu reino (Monte Olimpo) para outro lugar (Empire State Building, nos EUA). E assim como os deuses e semideuses, nessa saga todos os elementos da conhecida mitologia grega existem e, de alguma forma, aparecem para Percy. Os humanos mortais não conseguem identificar esses elementos místicos graças a uma força sobrenatural que distorce essas visões, chamada no livro de A Névoa.
Percy também descobre que seu amigo Grover é um sátiro, ou seja, um ser metade homem e metade bode, e que seu professor de História Sr. Brunner é na verdade o centauro treinador de heróis Quíron, conhecido na mitologia grega como treinador de Hércules, Teseu, Aquiles entre outros. Quíron e Grover levam Percy a conhecer e fazer parte do Acampamento Meio-Sangue, que é um local onde se treinam os semideuses para se tornarem heróis e aprender a trabalhar em equipe. No acampamento, existe uma divisão de chalés, que são as casas dos semideuses. Cada semideus é hospedado no chalé de seu pai ou mãe deus.
No desenrolar da história, Percy fortalece a sua amizade com Grover, flerta com a semideusa Annabeth, filha de Atena, e vê a ascensão do poderoso e temido titã Cronos, que tem planos de derrotar os deuses, destruir o Olimpo e levar os titãs a dominar a Terra como faziam antes da titanomaquia. A principal missão de Percy é derrotar Cronos e impedir que isso aconteça, mas conforme ele amadurece percebe que também precisa obter dos deuses a certeza de uma vida melhor para os seus filhos, que muitas vezes são marginalizados e esquecidos pelos pais.
A história de um menino inocente e comum que se descobre dono de poderes sobrenaturais, e que vai até uma instituição para que possa treinar os seus poderes junto com outros jovens como ele, foi e é acusado por um certo grupo de fãs de Harry Potter como uma grandiosa cópia de conteúdo. Mas, como diriam na minha terra, pera lá.
Em defesa de Rick Riordan, eu tenho pra dizer que desde tempos mais remotos existem nos livros fantasiosos um personagem principal que é inocente, que durante muito tempo não tinha se aventurado e que de repente se vê obrigado a enfrentar missões que ultrapassam os seus próprios limites. Alguns exemplos desses protagonistas são Frodo em O Senhor dos Anéis, Bilbo em O Hobbit, Bastian em A História Sem Fim e toda a família Pevensie em As Crônicas de Nárnia. Isso acontece porque o público alvo dessas histórias são jovens que se identificam com esses personagem e tem por eles laços de empatia.
Fora isso, Percy Jackson e os Olimpianos é uma saga de ficção com a maior quantidade de ação que eu já tive o prazer de ler na vida. Do início ao fim de todos os livros existem momentos de prender a respiração, seja com as lutas ou com as surpresas. Rick Riordan despertou em mim, também, um grande interesse pelas histórias da Grécia Antiga, já que ele consegue muito bem adaptar contos tão antigos com a nossa realidade atual, e isso é o ponto máximo da saga.
Falando sobre isso, essa história de trazer a dita mitologia grega para os tempos modernos me fez questionar a respeito de algumas considerações de cunho religioso. Por que será que chamamos de mitologia (conjunto de mitos) essa crença que durante tantos anos foi dado como verdadeira e única explicação para o acontecimento das coisas as quais os homens não sabiam explicar? Quem tem a autoridade de separar a crença nos deuses do Olimpo como mitos, e outras crenças como verídicas? Por que então parece ser tão indelicado que um descrente chame uma religião de, por exemplo, mitologia cristã? ENFIM, polêmica implantada, me obrigo a fugir do assunto... Pra falar dos pontos negativos da série.
Ao contrário da saga Harry Potter (perdoem-me a quem quer que se ofenda a essa comparação, mas por vezes se torna inevitável) os livros não amadurecem, ou melhor, a escrita não amadurece conforme os livros novos foram chegando. Todos são escritos com uma linguagem por demais pré-adolescentes, incluindo trocadilhos infames e referências à cultura pop que, ao meu ver, parecem forçadas. Mas claro, podem agradar aos pré-adolescentes, quanto a isso não tenho dúvidas. Não chega a ser exatamente uma obrigatoriedade que o autor tenha em evoluir a leitura dos fãs conforme eles vão crescendo, mas ponto positivo pra quem faz isso. Aliás, Riordan é um dos autores mais produtivos da atualidade, e já escreveu séries para adultos também.
Não posso terminar a resenha sem fazer um adendo, apesar do blog ser sobre livros e eu não gostar de me meter aqui em outras áreas, me vejo na obrigação de comentar: De todas as adaptações cinematográficas de livros que eu já vi na vida, nunca assisti a um tão ruim quanto o do Ladrão de Raios. Isso é porque a história não ficou apenas cortada em demasia como acontece na maioria das vezes, mas também teve a exclusão de personagens fundamentais para a continuidade da história, como o titã Cronos, principal vilão de toda a saga. Na adaptação, o deus do submundo Hades foi quem recebeu o papel de tirano. A personagem turrona e grosseira Clarisse, filha do deus da guerra Ares, também foi excluída na adaptação, e Annabeth herdou as suas características. Corte de custos? Talvez, mas prejudicial a ponto de tornar o filme uma lástima a quem conhece e gosta da série de livros.
Frases memoráveis:
"Nesse momento ela fez algo que me surpreendeu de verdade. Ela piscou para evitar as lágrimas e estendeu os braços." - Percy Jackson em A Batalha do Labirinto
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"A obediência não lhe vem naturalmente, não é? Devo ter alguma culpa por isso, imagino. O mar não gosta de ser contido." - Poseidon em O Ladrão de Raios
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"Ela sorriu pela primeira vez em dias, e isso fez tudo valer a pena." - Percy Jackson em A Batalha do Labirinto.
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E segue o trailer do filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios. Incrível como trailers enganam a gente, não é? Haha, um abraço e até domingo que vem!


Li apenas o primeiro e o segundo. Gostei da ideia de trazer a mitologia para a época atual, mas às vezes a americanização força muito a barra. Ok, o autor é americano, e transformou os EUA em uma Grécia atual, sem problemas. Mas tem coisas desnecessárias, como foi Dionisio o Deus do vinho, beber Diet Coke.
ResponderExcluirÉ disso que me refiro, e o problema é o fato dessas referências forçosas continuarem por todos os livros, sem um amadurecimento.
ExcluirEu acho que quem faz comparações assim não observa muito as estruturas das histórias por ai, um personagem ser tirado do mundo normal pra ir pra uma realidade fantástica existe MUITO antes de Harry Potter. Percy Jackson sempre me encantou pela ação frenética na narrativa, apesar de não ter amadurecido (nem na sequencia Heróis do Olimpo) ela deixa o leitor preso na trama. COPIEI DO COMENTÁRIO DO FACE PRA DAR UM PRESTÍGIO
ResponderExcluirEu ia dizer isso agora, que bom que você se retratou HAHAHHA, de qualquer forma, obrigado pelo prestígio. Da próxima vez, dá um Choquito também.
ExcluirMe deu vontade de ler tudo de novo. Acho que tem uma linha diferente da J.K. Rowling, porque o autor em si é americano e óbvio que vai americanizar tudo, já que eles acham que só existe o país deles. Mas ok, acho a história frenética mesmo, o romance gostosinho e o fato de trazer mitologia grega sensacional!! E realmente, uma das piores adaptações que eu já vi na minha vida, com certeza foi a do Percy Jackson, fiquei com vontade de sair no meio da sessão de tão puta que fiquei. hehe
ResponderExcluirolha eu li todos da primeira edisao e gostei muito sou fã de voces gostaria de ganhar as prosimas edicoes no meu aniversario de 15 ja que eunao vou faser por questoes economicas .
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