terça-feira, 16 de abril de 2013

1984 - George Orwell

Essa resenha/crítica não foi feita pelo autor do blog.


            O  post de hoje é coisa séria e, pela primeira vez, será escrito por um homem. É claro que você deve estar se perguntando “Ué, mas quem será essa pessoa linda e inteligente que escreveu esta resenha?” e, por isso, após muito pensar, decidi não revelar minha verdadeira identidade (até porque estaria correndo um sério risco de assédio sexual, digo, de vida).

            Adotarei então um nome fictício e escolhido longe de qualquer critério objetivo. Podem me chamar de Yrch.



Yrch (nome fictício)


           A obra escolhida para hoje é 1984. Um livro de Laurentino Gomes que retrata como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco ajudaram a criar o Brasil. Mentira (glu glu).




        “1984” (Nineteen Eighty-four) é um livro escrito por Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo seu nome artístico: George Orwell. Publicado pouco antes da morte de seu autor (em 1949), foi o livro mais vendido do séc. XX e, ao lado de "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley (Aldous - quem diria! – foi professor de Orwell na faculdade), desponta como o maior ícone da literatura distópica (que explora um mundo utópico onde o governo tem poder total sobre a vida das pessoas). 

        Conhecido pelo vasto legado, 1984 não só continua influenciando toda uma vasta área da pesquisa acadêmica, como emprestando referências a vários artigos culturais. Foi de 1984 que se cunhou o programa “Big Brother”. Assim como foi em 1984 que Alan Moore (“V de Vingança”) encontrou grande inspiração.



George Orwell

       O “Mais que um leitor” já abordou outro livro de George Orwell, mas – com todo respeito – 1984, é hands down, a obra-prima deste escritor. E agora você vai entender um pouquinho do por que.

Ambientação.

“...E embora, evidentemente, tudo piorasse à medida que o corpo envelhecia, não seria um sinal de que tudo aquilo não era a ordem natural das coisas o fato de que o coração da pessoa ficava apertado com o desconforto e a sujeira e a escassez, com os invernos intermináveis, com as meias grudentas, com os elevadores que nunca funcionavam, a água fria, o sabão áspero, os cigarros que se quebravam, a comida com seus estranhos gostos ruins? Por que razão o indivíduo acharia aquilo intolerável se não tivesse algum tipo de memória ancestral de que um dia as coisas haviam sido diferentes?”

        Winston Smith vive em uma cidade fria, e não somente no sentido de clima, mas em cores e formas. Todas as construções são parecidas e possuem o mesmo tamanho, apenas se destacam no horizonte os prédios dos três ministérios, como se seus cumes fossem morder o céu.

        Nas ruas, poucos se atrevem a mostrar qualquer simpatia. As paredes de tinta descascada e tom apático somente brigaam com as cores de cartazes com a figura de um rosto imponente: O GRANDE IRMÃO (Big Brother, há!). Por onde quer que você passe ele está lhe observando – o próprio cartaz é feito de maneira que pareça com que os olhos do Grande Irmão estão te seguindo -, mas não se iluda, eles realmente estão, e se chamam TELETELAS.



        As teletelas são dispositivos eletrônicos que filmam e gravam até o menor ruído, estão por todas as partes e nunca são desligadas. Nas casas e quartos, nos bares, locais de trabalho, tudo que acontece passa pelos olhos do Partido, e, por conseqüência, pelos olhos do Grande Irmão (alguém que nunca fora visto, mas todos acreditam veementemente em sua existência).

        O país (Londres, ou o que sobrou dela) está sempre em guerra. Além dos cartazes todos repetem o lema do Partido, que se encontra gravado no topo dos ministérios:

GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA

        O problema é que nunca se sabe contra quem se está em guerra. O Partido, através do Ministério da Verdade (local de trabalho de Winston) altera toda hora todos os jornais, livros, tudo. Aliás, os livros “eram simplesmente um produto que precisava ser fabricado, como geléias ou cadarços”.

      E assim, qualquer verdade que é verdade hoje, foi verdade sempre. E compete a Winston passar as tardes retificando a escrita desses registros, apagando do mundo o registro de seus amigos (o próprio fato de que eles um dia viveram), mas isso somente ele sabia.



        Ora, “Você se dá conta de que o passado, a partir de ontem, foi abolido? Se sobrevive em algum lugar, é em um ou outro objeto sólido, sem palavras associadas [...] Todos os registros foram destruídos ou falsificados, todos os livros foram reescritos, todos os quadros foram repintados, todas as estátuas, todas as ruas, todos os edifícios renomeados, todas as datas foram alteradas. E o processo continua dia a dia, minuto a minuto. A história se interrompeu. Nada existe além de um presente interminável no qual o Partido tem sempre a razão.”

       Irrevogavelmente, Winston vivia em constante dúvida, a toda hora questionando se estava louco (por acreditar em coisas que seus olhos viam, mas os textos apagavam), se sentia logrado, enganado, se sentia menos vivo, e quem não se sentiria? Como diria Bukowski: porque alguém sentiria prazer em acordar às seis e meia da manhã com o som de um despertador, cagar, mijar, ir trabalhar com sono, e ainda ter que agradecer pela oportunidade que está lhe sendo dada?

      Talvez o que pudesse salvar seria o amor. Talvez isso colorisse algo, emprestasse sentido à alguma coisa. Certo? Errado. É que o Partido proibia o amor. O Partido proibia qualquer sentimento, com exceção do ódio.

        O ódio, aliás, é exercitado constantemente. Todos param de trabalhar de tempo em tempo para (praticar ginástica laboral) os Dois Minutos de Ódio. Quando as teletelas transmitem o rosto de Goldstein, o inimigo, e todos xingavam ele, histericamente, jogando cadeiras, quebrando o que estava por perto, liberando um pouco da raiva que o Partido fazia questão que cuidassem com o mesmo afeto que se cuida de um poodle fofinho.

      Você consegue se imaginar vivendo assim?

     Não bastasse o café ruim, o cigarro que o fumo caia no chão, a vodka com gosto de graxa, o fato de não poder amar, estar sob constante vigília do Partido e ver seus amigos sumirem e serem depois acusados de traição...

       O que mais poderia acontecer...

      E a resposta é pensamento-crime. Isso mesmo, pensar era um crime para o partido. Você não podia conversar, mostrar o que gostava, suas opiniões deveriam ser guardadas, e com treino o bastante e a quantidade suficiente de amor pelo Grande Irmão, você não pensaria em mais nada, alcançaria a paz.

     Outra forma de vigilância que o Partido possui é a reforma da língua. Imaginem o pesadelo do Novo Acordo Ortográfico (entre Brasil e Portugal) só que desta vez para diminuir as palavras. Isso mesmo. O Partido queria diminuir as palavras para que elas tivessem menos significados e, assim, fortalecer o combate ao crime-pensamento.

     E lembre-se que até seus sussurros eram gravados pela teletela. O que fazer então? É aí que começa a aventura de Winston, no momento em que decide escrever um diário e contar sua história, para quem... nem ele sabia. Quem sabe para você, não é? (:

       Minha experiência.

      O que me causou maior surpresa em 1984, apesar da forte ambientação e construção de um cenário frio e apático, bem como da proposta de explorar quantos vincos a bota calçada pelo governo totalitário deixa na cara do oprimido, é que a obra é um grande romance. Isso mesmo. No meio do concreto criado pelo cenário de opressão do Partido, surge, como aquela plantinha da propaganda do Greenpeace, o amor de Winston e Julia.

       O amor é um grande capítulo no livro orwelliano, já até pensar em amor era crime(pensamento-crime), amar era um protesto contra o governo, uma revolução e, acima de qualquer coisa, uma forma de suicídio. Amar era ter consciência de que o fim estava próximo, ou como Winston diria: era saber que "o fim estava contido no princípio".

      Se Winston conseguirá vencer o Partido ou mesmo ficar ao lado de Julia, não vou contar. Mas garanto que o desfecho desse amor é inefável (aquilo que não se pode explicar com palavras). 

      Ao lado do amor, existe no livro um grande compêndio de como um poder totalitário atua. E nessa parte o livro está ainda mais atual. O que mostra, pra nossa tristeza, que os meios que somos explorados continuam sendo os mesmos. A necessidade da guerra para justificar o medo que legitima o Estado Autoritário; a pouca informação; falta de transparência; nos mostram que o Estado nunca precisou que fossemos cegos, apenas que apagassem a luz.

      1984 é um livro para ser lido com raiva, com medo. Se revolte. Lê-lo será uma das experiências mais enriquecedoras que você vai ter com um livro, eu garanto. Viva cada parte se colocando no lugar de Winston, e, tente, imagine, tolerar o que ele teve que tolerar.

     E no fim, tente achar algum conforto.



Citações.

“Winston tinha a sensação de estar vagando pelas florestas do fundo do mar, perdido num mundo monstruoso em que o monstro era ele próprio. Estava sozinho. O passado estava morto, e o futuro era inimaginável.”

“O passado, refletiu ele, não fora simplesmente alterado; na verdade fora destruído. Pois como fazer para verificar o mais óbvio dos fatos, quando o único registro de sua veracidade estava em sua memória?”

“Não deixava de ser curioso, pensou Winston, que fosse possível criar homens mortos, mas não homens vivos.”

“O tempo todo, no estômago, na pele, havia uma espécie de protesto, uma sensação de logro: a sensação de que você havia sido despojado de alguma coisa que tinha o direito de possuir.”

“Se você obedecesse às regras desimportantes, poderia desobedecer às importantes.”

“Quando você faz amor, está consumindo energia; depois se sente feliz e não dá a mínima pra coisa nenhuma. E eles não toleram que você se sinta assim [...] Se você está feliz na própria pele, por que se excitar com esse negócio de Grande Irmão, Planos Trienais, Dois Minutos de Ódio e todo o resto da besteirada?”

“Nesse jogo que estamos jogando, não temos como vencer. Alguns tipos de fracasso são melhores do que os outros. Só isso.”

“Ele – ou o ar em volta dele – parecia ter-se impregnado do cheiro do cabelo de Julia, do gosto de sua boca, da maciez de sua pele. Ela se tornara uma necessidade física: algo que ele não apenas desejava, mas a que sentia ter direito.”

“O Partido era invencível. Ele sempre existira, sempre seria o mesmo. A única forma de rebelar-se contra ele era mediante a desobediência secreta.”

“O fim estava contido no princípio. Era como estar pouco menos vivo. Tinha a sensação de estar pisando na terra úmida de um túmulo, e o fato de sempre ter sabido que o túmulo estava ali à sua espera não melhorava muito as coisas.”

“Não há a menor possibilidade de que ocorram mudanças perceptíveis em nossa geração. Nós somos os mortos. Nossa única vida genuína repousa no futuro. Participamos dela na condição de pó e fragmentos ósseos.”

“O objetivo de travar uma guerra é sempre estar em melhor posição para travar outra guerra.”
“O mundo atual é um lugar desolado, destruído, faminto se comparado ao mundo que existia antes, e ainda mais se comparado ao futuro imaginário para o qual as pessoas daquela época pensavam que estavam caminhando.”

“O passado é tudo aquilo a respeito do que há coincidência entre registro e memórias.”

“Em nossa sociedade aqueles que estão mais informados sobre o que ocorre são também os que mais longe estão de ver o mundo como ele é. Em geral, quando maior a sua compreensão, maior o engodo; quanto maior a inteligência, menor a saúde mental.”

“Onde há igualdade pode haver sanidade mental.”

“Diante da dor não há heróis.”

“Talvez fosse mais importante ser compreendido que amado.”


p.s. obrigado Cristóvão pelo espaço e espero que todos tenham gostado. Deixem seus comentários. Abraços, André.

domingo, 17 de março de 2013

Percy Jackson e os Olimpianos (toda a saga) - Rick Riordan


Já imaginou que a mitologia grega pode não ser tão mitológica assim? Deuses e semideuses coexistindo com os seres humanos ainda nos dias de hoje? O autor Rick Riordan imaginou, e escreveu uma série amada por muitos jovens... mas talvez não tão original assim.

     (Esse artigo vai falar sobre os cinco principais livros da série Percy Jackson e os Olimpianos. São eles:  O Ladrão de Raios, O Mar de Monstros, A Maldição do Titã, A Batalha do Labirinto e O Último dos Olimpianos, excluindo assim os livros adicionais Os Arquivos do Semideus e Semideuses e Monstros e também a outra série dos Olimpianos chamada Os Heróis do Olimpo.)

     De volta às resenhas de livros, amigos leitores, e acabei decidindo, além do dia novo das publicações (domingo), os estilos de livros que postarei por vez. Pensei em falar em um domingo sobre uma leitura mais densa, como por exemplo livros mais dramáticos e adultos e até mesmo não literários, e no domingo seguinte uma literatura mais jovem, fantasiosa, lúdica. Começamos então pelo segundo estilo.

      O fim da série Harry Potter chegou com amargura na vida dos pottermaníacos como eu, no ano de 2007, e eu já teria que me adaptar com a vida de órfão de J.K. Rowling. Pra amenizar , lá pelos meados de 2010 resolvi iniciar a série de livros Percy Jackson e os Olimpianos, uma promessa de substituição na questão de livros fantasiosos. Importante ressaltar aqui que essa série, bem como várias outras que se podem enumerar aqui no blog, só se tornou conhecida do grande público e só ganhou espaço nas livrarias após o lançamento da (terrível!) adaptação do primeiro livro para o cinema, em 2010, sendo que esse livro, O Ladrão de Raios, já havia sido escrito em 2005. Deixo para o futuro um questionamento sobre os benefícios e malefícios dessa dependência que alguns livros têm das adaptações cinematográficas para se tornar conhecidas, pois já vi que esse assunto rende (vide comentários sobre o post da série Harry Potter).

     Vamos a um resumão da saga toda, leitores! 

     O livro é contado com narração em primeira pessoa, sob a ótica de um garoto chamado Perseus Jackson, mais conhecido como Percy. No começo da história, descobrimos que ele é um menino disléxico, que sofre com problemas de déficit de atenção, o que o leva a obter notas baixíssimas em vários colégios regulares dos Estados Unidos. No entanto, em poucas páginas, uma tremenda reviravolta acontece em sua vida, e ele já precisa utilizar de habilidades que não sabia que possuía para se salvar de monstros que o perseguem, sem entender ao menos o por quê. 
      A verdade é que Percy é um semideus grego, filho de Poseidon. Isso mesmo! Aliás, nessa história, os deuses gregos ainda existem, nunca deixaram de existir, apenas mudaram o local do seu reino (Monte Olimpo) para outro lugar (Empire State Building, nos EUA). E assim como os deuses e semideuses, nessa saga todos os elementos da conhecida mitologia grega existem e, de alguma forma, aparecem para Percy. Os humanos mortais não conseguem identificar esses elementos místicos graças a uma força sobrenatural que distorce essas visões, chamada no livro de A Névoa.
     Percy também descobre que seu amigo Grover é um sátiro, ou seja, um ser metade homem e metade bode, e que seu professor de História Sr. Brunner é na verdade o centauro treinador de heróis Quíron, conhecido na mitologia grega como treinador de Hércules, Teseu, Aquiles entre outros. Quíron e Grover levam Percy a conhecer e fazer parte do Acampamento Meio-Sangue, que é um local onde se treinam os semideuses para se tornarem heróis e aprender a trabalhar em equipe. No acampamento, existe uma divisão de chalés, que são as casas dos semideuses. Cada semideus é hospedado no chalé de seu pai ou mãe deus.
     No desenrolar da história, Percy fortalece a sua amizade com Grover, flerta com a semideusa Annabeth, filha de Atena, e vê a ascensão do poderoso e temido titã Cronos, que tem planos de derrotar os deuses, destruir o Olimpo e levar os titãs a dominar a Terra como faziam antes da titanomaquia. A principal missão de Percy é derrotar Cronos e impedir que isso aconteça, mas conforme ele amadurece percebe que também precisa obter dos deuses a certeza de uma vida melhor para os seus filhos, que muitas vezes são marginalizados e esquecidos pelos pais.

     A história de um menino inocente e comum que se descobre dono de poderes sobrenaturais, e que vai até uma instituição para que possa treinar os seus poderes junto com outros jovens como ele, foi e é acusado por um certo grupo de fãs de Harry Potter como uma grandiosa cópia de conteúdo. Mas, como diriam na minha terra, pera lá

      Em defesa de Rick Riordan, eu tenho pra dizer que desde tempos mais remotos existem nos livros fantasiosos um personagem principal que é inocente, que durante muito tempo não tinha se aventurado e que de repente se vê obrigado a enfrentar missões que ultrapassam os seus próprios limites. Alguns exemplos desses protagonistas são Frodo em O Senhor dos Anéis, Bilbo em O Hobbit, Bastian em A História Sem Fim e toda a família Pevensie em As Crônicas de Nárnia. Isso acontece porque o público alvo dessas histórias são jovens que se identificam com esses personagem e tem por eles laços de empatia.

        Fora isso, Percy Jackson e os Olimpianos é uma saga de ficção com a maior quantidade de ação que eu já tive o prazer de ler na vida. Do início ao fim de todos os livros existem momentos de prender a respiração, seja com as lutas ou com as surpresas. Rick Riordan despertou em mim, também, um grande interesse pelas histórias da Grécia Antiga, já que ele consegue muito bem adaptar contos tão antigos com a nossa realidade atual, e isso é o ponto máximo da saga.

      Falando sobre isso, essa história de trazer a dita mitologia grega para os tempos modernos me fez questionar a respeito de algumas considerações de cunho religioso. Por que será que chamamos de mitologia (conjunto de mitos) essa crença que durante tantos anos foi dado como verdadeira e única explicação para o acontecimento das coisas as quais os homens não sabiam explicar? Quem tem a autoridade de separar a crença nos deuses do Olimpo como mitos, e outras crenças como verídicas? Por que então parece ser tão indelicado que um descrente chame uma religião de, por exemplo, mitologia cristã? ENFIM, polêmica implantada, me obrigo a fugir do assunto... Pra falar dos pontos negativos da série.

     Ao contrário da saga Harry Potter (perdoem-me a quem quer que se ofenda a essa comparação, mas por vezes se torna inevitável) os livros não amadurecem, ou melhor, a escrita não amadurece conforme os livros novos foram chegando. Todos são escritos com uma linguagem por demais pré-adolescentes, incluindo trocadilhos infames e referências à cultura pop que, ao meu ver, parecem forçadas. Mas claro, podem agradar aos pré-adolescentes, quanto a isso não tenho dúvidas. Não chega a ser exatamente uma obrigatoriedade que o autor tenha em evoluir a leitura dos fãs conforme eles vão crescendo, mas ponto positivo pra quem faz isso. Aliás, Riordan é um dos autores mais produtivos da atualidade, e já escreveu séries para adultos também.

      Não posso terminar a resenha sem fazer um adendo, apesar do blog ser sobre livros e eu não gostar de me meter aqui em outras áreas, me vejo na obrigação de comentar: De todas as adaptações cinematográficas de livros que eu já vi na vida, nunca assisti a um tão ruim quanto o do Ladrão de Raios. Isso é porque a história não ficou apenas cortada em demasia como acontece na maioria das vezes, mas também teve a exclusão de personagens fundamentais para a continuidade da história, como o titã Cronos, principal vilão de toda a saga. Na adaptação, o deus do submundo Hades foi quem recebeu o papel de tirano. A personagem turrona e grosseira Clarisse, filha do deus da guerra Ares, também foi excluída na adaptação, e Annabeth herdou as suas características. Corte de custos? Talvez, mas prejudicial a ponto de tornar o filme uma lástima a quem conhece e gosta da série de livros.

Frases memoráveis:

   "Nesse momento ela fez algo que me surpreendeu de verdade. Ela piscou para evitar as lágrimas e estendeu os braços." - Percy Jackson em A Batalha do Labirinto

***

   "A obediência não lhe vem naturalmente, não é? Devo ter alguma culpa por isso, imagino. O mar não gosta de ser contido." - Poseidon em O Ladrão de Raios

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    "Ela sorriu pela primeira vez em dias, e isso fez tudo valer a pena." - Percy Jackson em A Batalha do Labirinto.
   
***

     E segue o trailer do filme Percy Jackson e o Ladrão de Raios. Incrível como trailers enganam a gente, não é? Haha, um abraço e até domingo que vem!


quarta-feira, 13 de março de 2013

Mudanças! (+O Guia do Mochileiro das Galáxias)

Devido o retorno das atividades acadêmicas, vou ter pouco tempo pra me dedicar ao blog durante a semana, então vou mudar o dia das postagens para o domingo!

E para não dizer que essa semana passou batida pelo Mais que um leitor, segue uma matéria que eu apresentei domingo passado sobre a saga de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias no Programa Olhares Múltiplos :


terça-feira, 5 de março de 2013

Por que ler livros?

     Hoje, amigos que acompanham o Mais que um leitor, parodiando Luisa Marilac, resolvi fazer algo de diferente.

     Por causa da volta às aulas na faculdade e o retorno das atividades acadêmicas, sobra-me pouco tempo pra ler, e como estou postando as críticas sobre os livros que venho lendo recentemente (e seus conteúdos ainda me são frescos na memória), preferi, essa vez, não fazer crítica de livro algum. Dessa forma, economizo papo sobre futuros livros - tenho várias dicas de amigos que acompanham o blog - e também debato sobre um assunto muito interessante que vem martelando minha cabeça.

     Por que ler livros? Respondam-me vocês, colegas leitores... Por que ler livros?

     E essa pergunta pode vir acompanhada de algumas variáveis:

    Por que ler livros, com tantos filmes, séries, novelas, ou seja, produtos audiovisuais que são tão mais dinâmicos  do que os livros?

     Por que ler livros que não são da minha área de atuação? Ficção? Romance? Exoterismo? O que se ganha fazendo esse tipo de leitura?

     Abaixo segue a minha opinião, as minhas respostas às duas perguntas, e eu gostaria que você, que está lendo esse artigo, também respondesse nos comentários. Na medida que vocês forem respondendo, eu atualizo esse post com quote para as suas opiniões.

     Muito bem! Para ler, colegas, ao meu ver, não existe distinção. Todos os livros, sem exceção, possuem seu valor.

     A leitura é importante por diversos fatores técnicos e que podem ser postos em prática: Quem lê tem um vocabulário mais rebuscado. Pode conversar com muitas pessoas de todas as idades sobre os mais variados assuntos. Quem lê escreve melhor, é óbvio! Quando o patrão pede para que o funcionário escreva algum artigo, isso não será problema algum se ele tiver o hábito da leitura. Ele saberá atingir os seus objetivos, pois ele sabe se colocar no lugar do leitor do seu artigo. Quem lê tem uma reflexão mais rápida, porque é acostumado a interpretar situações, a descobrir o que se esconde nas entrelinhas, portanto o leitor aprende rápido atividades novas. O leitor está a frente dos demais, se sai melhor em entrevistas de emprego, em atividades escolares/universitárias, é mais criativo, entre outros valores importantes para o desenvolvimento pessoal. Isso sem falar no óbvio. Quem lê adquire conhecimento dos mais variados assuntos.

     Mas isso, pra mim, é a parte chata da explicação.

     Em nada se pode comparar com o que, ao meu ver, é o mais importante de pegar um livro para ler. Quando você lê, colega leitor, você é transportado para o mundo desse livro. Você abre as portas para receber os personagens desse novo livro, e eles te convidam para conhecer as suas histórias. Em qualquer lugar que você esteja, seja no conforto do seu quarto ou no desconforto do ponto de ônibus, basta abrir o livro e iniciar a leitura pra que o chamado "mundo real" se apague - quantas foram as vezes que eu já vi o ônibus que devia pegar passar na minha frente porque já não estava mais no planeta Terra, estava no mundo da minha leitura.

       Também é comum pra mim em momentos de turbulências na vida pessoal abrir um livro e livrar meus pensamentos da tristeza. Atitude covarde? Não acho... Pra mim funciona como um alívio, uma oxigenação dos pensamentos, e serve até de certa forma para que eu coloque a cabeça no lugar. Viajar pra outros mundos acabam colocando os meus pés no chão, por mais irônico que isso pareça.

     O prazer que sinto ao ler é indescritível. Poder viver outras vidas e conhecer outras histórias é um privilégio tão grande que eu quase fico envergonhado por não poder retribuir aos livros essas virtudes que eles me deram.

     Se eu posso me considerar alguém criativo, é porque eu leio. Se eu assisto a um filme e acho ele óbvio demais, também é porque eu leio, fui acostumado a esperar as maiores surpresas de todas as histórias. Enfim, são muitos os benefícios que a leitura me trouxe.

    Mas agora quero saber de você amigo... Por que você lê livros?

    Um abraço,

   Cristóvão V. Oliveira



Opinião dos colegas leitores:

- Matheus Tillmann:

Eu leio pela liberdade que um livro me dá, ele me entrega os moldes e eu construo tudo dentro deles. Eu cresço com o fato de ler(melhorando vocabulário, criatividade e etc) e faço o que eu leio crescer dentro de mim. Isso é uma vantagem que só um livro apresenta, a autonomia de imaginar.


Irmãzinha <3 :
Eu amo ler livros para deixar o mundo onde habito, onde sinto, onde choro, onde me perturbo e tento melhorá-lo para as gerações futuras e para mim, porque nem sempre consigo enfrentar meu mundo, meus erros, minha vida e preciso de um novo ponto de vista, de uma nova fantasia para ver q minha vida é maravilhosa e que também tenho um sonho que poderia servir de história para outras pessoas que se afligem e pensam estar perdidas mas que tem uma linda vida, só precisam mudar seu ponto de vista.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë


A história de um romance proibido já não era novidade na época do lançamento de O Morro dos Ventos Uivantes (1847), afinal Shakespeare já havia escrito Romeu e Julieta centenas de anos antes. Mas a atmosfera sombria do livro, os personagens violentos e dramáticos e o ambiente desolador, tudo isso unido à uma autora reclusa e problemática que vem a falecer no ano seguinte ao lançamento de sua obra, torna a leitura desse volume, no mínimo, interessante.


    Gosto de falar aqui sobre o porquê de escolher alguns livros pra ler, como se pode conferir no post de O Apanhador no Campo de Centeio. Faço isso pois, apesar da máxima de que um livro não deve ser julgado pela capa, a gente sempre é atraído, pelo menos, pelos que são mais comentados. O Morro dos Ventos Uivantes é considerado um clássico da literatura mundial, mas eu também já comentei aqui que a palavra clássico, se tratando de literatura, não me atrai. Tem que ter algo a mais. E no caso desse livro, o que me levou a alugá-lo na biblioteca da universidade foram, novamente, as histórias em torno dele, que qualquer um tem acesso com muita facilidade em simples pesquisas da internet.
     Wuthering Heights foi fortemente criticado na época de seu lançamento. Chegaram a dizer: "a história se passa no inferno... somente os nomes dos personagens são ingleses.". O livro correu o risco de nem ao menos ser publicado. Emily Brontë, irmã de duas escritoras, foi considerada à época a menos criativa das três. Baniram os livros de diversas bibliotecas na Inglaterra. Os motivos? Pequenos, mas devemos considerar que a época era de muita ignorância no pensamento popular: Personagens obscuros, um desregro pelas questões religiosas, atmosfera tensa e violenta, sem contar mortífera.
     Além do conteúdo do livro, a história da autora (que abordou muitos anseios da sua vida para escrever a obra) também chama a atenção. Precisou conviver com mortes precoces de membros da família, com a bebedeira do irmão mais velho, com os fracassos em tentativas de convívio social e outras experiências que, muito provavelmente, a inspiraram para a criação das personalidades profundas, agressivas, temperamentais das personagens de O Morro dos Ventos Uivantes. Acabou falecendo no ano seguinte ao lançamento de sua mais famosa obra por uma crise de tuberculose.
     Vamos à um resumo da obra:


     Heathcliff e Catherine. De todos os casais que já conheci através dos livros, de longe esse é o que se amou com mais intensidade, e esse amor é de longe o mais destrutivo dos que já li a respeito. A história é toda contada através de um inquilino de Heathcliff, Sr. Lockwood, que decide alugar deste homem  uma terra chamada Thurston Grange, situado no alto de alguns morros da Inglaterra, longe das turbulências da cidade grande. Heathcliff mora em Wuthering Heights, um casarão isolado, um pouco acima de Thurnston Grange. Nessas terras, os ventos fortes e os temporais são constantes e causadores de muitos problemas, principalmente de locomoção. Ao conhecer o seu senhorio, Lockwood se interessa em saber da sua história, pois nunca antes havia conhecido um sujeito tão grosseiro, violento em seus atos e de mal com a vida, e portanto pergunta à serviçal que lhe é disponível, Ellen Dean, se podes lhe contar sobre o passado de Heathcliff. Por sorte, Ellen conhece toda a vida do homem, e aí a história passa a ser a narração dos relatos de Ellen ao Sr. Lockwood.

     Heathcliff era um menino cigano abandonado nas ruas da Inglaterra à pedir esmolas, até que o antigo dono de Wuthering Heights, sr. Earnshaw, resolve levá-lo para casa, para ficar aos seus cuidados. Sr. Earnshaw, ao voltar para Wuthering Heights, apresenta o menino cigano, que dá o nome de Heathcliff (funciona como nome e sobrenome), aos seus filhos naturais, Hindley e Catherine. Heathcliff sofre preconceito dos novos irmãos pela cor da pele, principalmente por Hindley, que o considera apenas um aspirante a usurpador dos bens de seu pai.
     Hindley aplica surras constantes ao irmão adotivo, e Catherine, depois de um tempo, amolece o seu coração por esse tratamento subumano que o pequeno cigano tem na casa, e começa a ser mais condescendente com suas condições. Poucos anos depois, sr. Earnshaw morre, e Wuthering Heights passa a pertencer ao filho mais velho, Hindley. Assim que atingem a juventude, Catherine e Heathcliff vivem uma ardente paixão, que Hindley desaprova. Por causa disso, o novo dono do casarão torna Heathcliff um criado, obrigado à trabalhar para poder sobreviver, e proibido cada vez mais de ver Catherine.
     Essa, por sua vez, conhece Edgar Linton, jovem bem apessoado e rico e, enquanto Heathcliff se afunda em melancolia pelos seus serviços no casarão que o consumem cada dia mais, Catherine faz planos de se casar com Edgar. Heathcliff, ao descobrir isso, desaparece por um bom tempo do morro dos ventos uivantes...

        A partir daqui, não vou dizer mais nada, pra não estragar a leitura... Ou melhor, quase nada.
     Heathcliff, à medida que suas experiências de tortura e censura vão lhe consumindo, torna-se uma pessoa de péssima convivência. Recluso, vingativo, ganancioso, destrutivo. Já Catherine sofre, com os anos, a consequência de ter feito uma escolha errada, e virado às costas aos seus verdadeiros sentimentos, e isso vai aos poucos destruindo e corroendo seus pensamentos.

        Uma das maiores qualidades que eu encontro nessa obra é justamente a construção do temperamento dos personagens após as suas experiências e escolhas. Não existe um personagem bom ou mal, existe um personagem que age de acordo com a vida que levou - e não é assim na vida real também?
     Talvez isso tenha agredido tanto às normas, os valores morais da época. Você não pode culpar Heathcliff de se tornar um verdadeiro demônio com o passar das páginas se ele sofria preconceito na infância, foi traído pelo único e grande amor da sua vida e obrigado a trabalhar pesado por um tirano - que só o era graças as bebedeiras, que o faziam esquecer do falecido amor da sua vida. Também não podes ter raiva de Catherine por se casar com Edgar, se ela paga por essa escolha com uma vida amargurada e miserável. E quando uma sociedade acostumada à atribuir culpas de erros à pessoas más se depara com uma história em que existem apenas personagens reféns de suas escolhas e experiências, obriga-se a culpar é a autora por pensar em um absurdo desses.
        
        A verdade é que O Morro dos Ventos Uivantes cativa pelo clima de tensão que se instala em praticamente toda a obra. Planos de vingança, tomada de posses à força, mortes e mais mortes e, principalmente, a perda da sanidade por tanto sofrimento me faz abrir uma exceção no blog: Não tenho pontos negativos para agregar à essa obra. Alguns diriam que a escrita é antiga e morosa, acaba deixando a história maçante e passível de ser abandonada logo nas primeiras páginas, e eu atribuo à isso um pecado capital: Preguiça. Mas é claro que essa é a opinião do blogueiro, aceito todas as críticas de vocês, colegas leitores, que tiverem argumentos contrários aos meus!

          Vale ressaltar também o valor histórico da obra, já que nos faz compreender os valores e o modo de vida do século XIX. Os serviçais nascem, crescem, envelhecem e morrem servindo. As pessoas adoecem o tempo todo, e isso é até de certa forma banalizado no livro. A impressão que dá é de que as doenças eram muito corriqueiras na época, e se pararmos pra pensar na tecnologia e na higiene da época, é fácil acreditar.

          Frases marcantes de O Morro dos Ventos Uivantes:

"O mundo inteiro é uma terrível testemunha de que um dia ela realmente existiu, e eu a perdi para sempre.." -
Heathcliff

***

"Os meus grandes desgostos neste mundo, foram os desgostos de Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva." - Catherine

***

"O senhor é muito infeliz, não é? Solitário como o demônio e, como ele, invejoso. Ninguém gosta do senhor, ninguém o chorará quando morrer!" - Catherine Linton.

***

     Por fim, a música mais conhecida da cantora Kate Bush tem o nome da obra e é na verdade uma homenagem ao livro Morro dos Ventos Uivantes. Sucesso nos anos 70 (e com um clipe bizarríssimo!). Até semana que vem, amigos leitores!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Harry Potter (toda a saga) - J.K. Rowling

Uma série de livros que incentivou milhões de crianças e jovens à leitura (inclusive eu). Uma autora que tornou-se a mulher mais rica na história da literatura. Uma história que  acabou, mas vive no coração de muita gente. 

     (Esse artigo vai falar sobre todos os livros da série Harry Potter. São eles: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem da Fênix, Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Harry Potter e as Relíquias da Morte)
     
     Tudo bem, pode ser que eu seja suspeito a falar sobre essa série de livros. Pudera, a época da minha iniciação como leitor se confunde com a época dos lançamentos de cada um dos livros de Harry Potter. A espera da publicação do próximo livro pra mim era quase uma eternidade, na qual eu aproveitava para reler duas, três ou até quatro vezes os volumes lançados anteriormente. Mas prometo tentar ser o mais imparcial possível nessa crítica, e até juro apontar defeitos na série.
     É claro que não vou soltar os famosos "spoilers" (talvez um ou outro...), afinal de contas não é pra isso que o blog foi gerado. O blog Mais que um leitor existe pra fomentar a leitura de obras de conhecimento do blogueiro que vos fala e  também para a troca de opiniões, dicas de leitura, críticas e etc. Então se você veio até aqui pra saber mais sobre detalhes nas história dos livros, sinto muito ter de frustrá-lo(a). 
     E é justamente por esse objetivo maior de falar sobre o significado e o que rodeia a história de Harry Potter que eu resolvi escrever sobre os sete livros em apenas um post, como se a história fosse apenas uma (e afinal de contas, é isso mesmo, de fato.). Não temo que haja represálias por falar sobre essa série, pois até agora, mesmo apesar de ser este apenas o terceiro post do blog, falamos apenas sobre livros considerados clássicos da literatura, já com décadas de existência e maior solidez na história das obras literárias, afinal eu já expliquei no post de apresentação do blog que aqui não haveria distinção entre obras, por que no fim das contas o que importa é o que interessa a leitura, os valores que os livros nos transmitem e as sensações que nos passam.
     Antes de mais nada, vamos à um resumo da história do bruxo bilionário!

     
Harry James Potter é um menino magricela, de óculos e com uma bizarra cicatriz em forma de raio no meio da testa. Vive com seus tios pois, segundo eles, seus pais morreram num acidente de carro. Na casa desses tios, os Dursley, ele é muito mal tratado: dorme no armário de vassouras embaixo da escada, só usa as roupas que seu primo Duda cansou de usar, precisa servir a família como se fosse um criado e ainda ouve desaforos a respeito de seus pais o tempo todo. Até o seu aniversário de onze anos ele acredita ser um menino comum e bastante injustiçado, mas uma carta da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts muda toda a sua perspectiva: Harry descobre que é um bruxo, e Hagrid, um meio-gigante que vai até sua casa para entregar essa carta, explica que seus pais também eram famosos bruxos e não morreram num acidente de carro, e sim pelas mãos do temível bruxo das trevas Voldemort.
     Harry é introduzido então ao mundo bruxo e ao seu sistema - com Ministério da Magia, hospitais para cura de feitiços, bancos, lojas de artigos bruxos e claro, Hogwarts, uma Escola de Magia onde aprende-se feitiços e como controlá-los. Nessa escola, Harry faz amizade com outros bruxos, (vale ressaltar a amizade sólida de Rony e Hermione, personagens essenciais para a vida dessa saga), aprende um esporte bruxo chamado quadribol e a cada ano que passa descobre um pouco mais sobre sua história e as coisas que lhe foram escondidas durante a infância.
     Cada livro de Harry Potter representa um ano diferente, e consequentemente um ano escolar diferente também. Para cada livro, Harry vive uma aventura que lhe desafia até os seus limites, e todas essas aventuras são direta ou indiretamente envolvendo Voldemort - bruxo das trevas a que todos julgam estar morto desde que Harry tinha apenas um ano mas, é claro, não é bem assim.

     E pronto, isso é tudo de essencial que uma introdução sobre a saga de Harry Potter poderia ter (ou talvez não, mas é o que eu julguei ser importante, haters gonna hate.). Agora vamos ao mais importante, na visão do blogueiro: A crítica da obra e a elaboração de argumentos sobre o por quê essa saga é tão boa e tão importante de se ler.

     Já ouvi de tanta gente que livros de fantasia eram pura perca de tempo e que esses não agregariam nenhum valor à minha vida que até parei de contar. Pra essas pessoas que, não tenho nenhum receio de falar, são completamente ignorantes em termos de literatura, me faltavam argumentos pois eu deixava a paixão por esses livros me tomarem de um jeito que eu só tinha vontade de rachar uma pedra na cabeça desses sujeitos. Mas não, eu não fazia isso, apenas me calava enquanto ficava vermelho e a veia do meu pescoço latejava.
     Pois bem caros leitores, eu poderia citar uma centena de ensinamentos que Harry Potter transmite implicitamente, através de metáforas ou diretamente mesmo, como os valores da amizade, da fé, da perseverança, entre outros. Mas vamos falar sobre o que de mais importante rodeia as histórias do bruxo, além da própria fantasia que, por natureza, encanta muita gente.
     Na essência, Harry Potter é uma história sobre o bem tentando vencer o mal. Esmiuçando melhor esse argumento: Harry é um menino inocente que antes mesmo de poder se defender de qualquer coisa que seja, é vítima da maldade e perversão de uma entidade maligna que brutalmente tira a vida de seus pais. Quando isso acontece, ele é obrigado a viver sob um regime de opressão dos seus tios. Harry tinha tudo pra ser alguém revoltado e de mal com o mundo, mas ao descobrir um sentido para sua vida e, principalmente, ao conhecer amigos de verdade, ele se enche de esperança e não há mais espaço para amarguras em seus pensamentos.
     Voldemort, quando criança, teve uma vida semelhante a de Harry, mas suas ambições, sua sede pelo poder e seus preconceitos o tornam um tirano incapaz de carregar bons sentimentos em seu coração - vale ressaltar que podemos, aqui, comparar essa história à de Hitler, ou a de qualquer outro tirano que existiu. O lord das trevas deseja chegar ao poder na base da destruição, da opressão, da tortura e da eliminação de raças que não sejam puramente bruxas.
     Durante toda a história, Harry e seus amigos lutam para acabar com as trevas, com o mal. Enfrentam juntos desafios que nenhum bruxo ousara tentar na luta pelo seu ideal. Nesse caminho árduo a ser percorrido, onde muitas outras pessoas tentam desencorajar Harry e quem o apoia, ele vê amigos sendo mortos, vê a ascenção de seus inimigos, vê injustiças sendo cometidas, é acusado de mentiroso perante todo o mundo bruxo, desacreditado... mas nada disso abala a sua vontade de justiça.
     Por essa simplificada e comprimida explicação do que é essencial na história de Harry Potter, já valeria a pena pra qualquer pessoa acompanhar toda a saga. Mas não para por aí.
     As histórias paralelas de personagens secundários, como o atrapalhado Neville Longbottom e o sombrio Professor Snape (de longe, meu personagem preferido) são tão ricas e cheias de vida que nos fazem simpatizar facilmente com esse mundo mágico
   
     Existe um outro ponto principal e que é bastante conhecido dos leitores de Harry Potter: A história dos livros amadurece com o passar dos anos, acompanhando também o amadurecimento dos fãs da série. Harry Potter e a Pedra Filosofal é um livro inocente e mais puxado para um lado divertido - apesar dos seus momentos de obscuridade. Harry Potter e as Relíquias da Morte, o último livro da série, tem uma história sombrio, pesado, carregado de tensão.

     E agora, sobre a autora. Definitivamente ela têm o dom de prender qualquer um com essa história. Ela sabia que detinha uma mina de ouro nas mãos, ou melhor, em sua cabeça, e soube quase que perfeitamente, por entre sete magníficos livros, conduzir os enigmas, mistérios e surpresas. Digo quase perfeitamente por que lá vão alguns pontos que EU considero negativo em Harry Potter:

     (ALERTA DE SPOILER!) Não gostei do surgimento das tais "Horcruxes" lá pelo penúltimo livro. Isso deu um nó em uma história que, já àquela altura, devia muitas respostas aos leitores. Então Harry se vê em uma busca por artefatos que nem ao menos sabe quais são ou como destruí-los, e isso toma um tempo que se torna maçante para os últimos dois livros.
         O penúltimo livro (Harry Potter e o Enigma do Príncipe), por sinal, me aborreceu muito e pareceu inacabável. Só ganhou um pique interessante lá pelos últimos capítulos.
          E o principal ponto negativo: Acabou!!! O último livro da série foi lançado em julho de 2007.

         Como uma conclusão sobre mais essa resenha/crítica/o que você quer chamar, digo que vale a pena a leitura para qualquer idade, seja para seus filhos, seus amigos, seus pais ou avós, Harry Potter é uma série escrita pra quem acredita na amizade, na fé e na perseverança.

        E uma dica mais do que amiga: Foi lançado recentemente uma edição de colecionador para os sete livros, você pode comprar todos por um preço bem acessível. Confira aqui na Submarino.
   
        Algumas frases memoráveis das obras de Rowling:

"São as nossas escolhas, mais do que as nossas capacidades, que mostram quem realmente somos." - Dumbledore em Harry Potter e a Câmara Secreta.

***

"O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos." - Sirius Black em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

***

"Não existe o bem e o mal,só existe o poder, e aqueles que são fracos demais para consegui-lo." - Lord Voldemort em Harry Potter e a Pedra Filosofal.

***


     As referências na cultura pop de Harry Potter são conhecidas da maioria. Os livros foram adaptados para 8 filmes, jogos eletrônicos, brinquedos e etc. Conheça agora a banda Ministry of Magic, que faz canções inspiradas na saga de J.K. Rowling:


     Até semana que vem, com mais um livro (ou saga de livros, não é?!) aqui no Mais que um leitor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger


Mal visto pela sociedade à época, produto da mente de um dos autores mais reclusos da história: conheça um pouco mais sobre a obra de Jerome David Salinger que o consagrou e conquistou o título de um dos 100 melhores livros de língua inglesa lançados no século XX

     É fato que eu só iniciei a leitura dessa obra depois de conhecer as histórias ao redor dela. Pois saiba você, colega leitor, que O Apanhador no Campo de Centeio foi a última leitura em liberdade de Mark David Chapman, o assassino de John Lennon; ele afirmou às autoridades na época que a leitura o inspirou a matar o ex-Beatle. Curiosamente, o atirador que tentou matar o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan também contou que foi inspirado à essa tentativa através da leitura do livro de Salinger, e Robert John Bardo, o assassino da jovem atriz Rebecca Shaeffer, carregava nas mãos, junto com a arma que tirou a vida da moça, uma cópia da obra. Fora essas trágicas histórias, ainda existe uma prova de amor que envolve O Apanhador: O ator Nicolas Cage conseguiu um autógrafo de J.D. Salinger para dar à uma garota como prova de amor, e acredite, lendo a história de reclusão da convivência social de Salinger, você consideraria essa prova tão válida quanto realizar qualquer um dos doze trabalhos de Hércules para conquistar alguém.

     Mas nenhum desses, na minha opinião, curiosos casos que envolveram The Catcher in the Rye me chamou tanto a atenção quanto um detalhe. Um detalhe que para mim, já há algum tempo, mais me atrai para a leitura de uma obra antiga: O livro foi considerado ofensivo para a época, a crítica e a sociedade se revoltaram com a forma tão autêntica de escrever de Salinger e inclusive diversos volumes foram retirados das bibliotecas e livrarias por um longo período. Mas nada como o tempo e a evolução na maneira de pensar dessa tal humanidade pra que estejamos hoje aqui, nesse blog, falando abertamente sobre um grande clássico da literatura mundial. E pra entender melhor dos motivos que a sociedade teve pra censurar o livro, oficialmente publicado em 1951, vamos então, finalmente, saber do que se trata a história, não é mesmo? Eita blogueiro enrolado.

Capa da primeira edição de
The Catcher in the Rye
Todo o livro é escrito segundo a ótica e os pensamentos de Holden Caulfield, um adolescente problemático, cheio de perturbações na cabeça, fumante e beberrão, que não consegue se encaixar em praticamente lugar nenhum a que tenta ser incluído. Logo no começo de seus relatos ele explica que está sendo expulso de mais um colégio - mais especificamente um internato para rapazes - , no qual repetiu em quase todas as matérias. Sem contar nada para seus pais, ricos moradores de Nova Iorque, ele resolve gastar a grana enviada pelos "velhos" em uma excursão pela cidade. Bares, pubs, hotéis, táxis e até mesmo uma prostituta são os motivos pelo qual o dinheiro se esvai por entre os dedos de Holden.

É estranho o quanto o conteúdo do livro pode ser descrito em tão poucas linhas, mas a verdade é que fica muito difícil resumir um livro no qual a essência não são exatamente as situações, mas sim os conflitos de pensamento, os sentimentos e as emoções de Holden. Não a toa, esse personagem - que eu particularmente sou um grande fã, e inclusive uso de plano de fundo para o meu twitter - é considerado um símbolo da juventude transviada, da rebeldia, das turbulências que se passam na cabeça de todo adolescente que ainda não sabe muito bem o que esperar da vida e que não consegue atingir objetivos e aguentar a pressão que a sociedade impõe. 

     Holden xinga todos o tempo todo - em seus pensamentos. Fala mal de todas as bandas que ouve nos pubs, encontra defeitos em todos os seus amigos (em sua maioria, playboys da alta sociedade americana), se mete em situações em busca de um pouco de felicidade que apenas o deprimem cada vez mais, compra bebidas mentindo sua idade para afogar suas mágoas e tenta, o tempo todo, explicar os seus anseios para as pessoas, que nunca o conseguem compreender. A futilidade dos seus amigos o frustra, e não ter ninguém com quem compartilhar essa frustração deixa um vazio grande no peito de Holden, que liga para alguns colegas afim de conversar sobre seus pensamentos, mas ou não é ouvido, ou não é entendido, ou não é respeitado.

     Os pensamentos de Holden mexeram comigo de uma forma que, em determinado momento da leitura, eu sabia o que ele ia pensar. Eu sabia o que ele ia dizer. Eu era Holden Caulfield, e talvez eu já fosse e ainda seja um pouco Holden Caulfield. E provavelmente todo mundo que alguma vez já pensou em como a humanidade consegue nos surpreender negativamente, seja um pouco Holden Caulfield.

     Agora vamos para a avaliação final, com pontos positivos e negativos do livro, segundo a minha opinião (Capitão Óbvio atacou agora, mas às vezes até ele é necessário). De positivo, a forma com que é escrito, ao começar indo direto ao ponto e sem devaneios ou maiores explicações, me impressionou logo de cara. Logo a partir da primeira página você vai acompanhando a vida de Holden, a qual ele conta no passado, como se estivesse ele a escrever o livro. Há momentos em que Holden parece estar ali com você, conversando como amigos, e você se sente até embaraçado com a sinceridade que ele lhe conta os relatos mais íntimos de sua jornada da expulsão do internato até uma passadinha em sua casa para ver sua irmã. O uso de palavrões e linguagem informal é que passa esse realismo e essa naturalidade ao personagem. A história não cansa, é repleta de pensamentos que valem destacar e usar pra vida. As descrições de lugares de pessoas e de pontos de vista que Holden dá quase que fazem fotografias saltarem do livro.

     E só pra não dizer que não há nada de negativo nessa obra, vale comentar sobre a tradução para o português brasileiro. Os principais palavrões são trocados por palavras não tão ofensivas na versão brasileira de The Catcher in the Rye. Um exemplo é a palavra, crap, traduzido no livro como porcaria. Talvez isso não fosse tão grave, se não considerássemos que o livro é conhecido justamente por inovar a forma de se escrever, utilizando esses palavrões e linguagem vulgar. Outra tradução sofrível é a da expressão "No kidding", que Holden usa o tempo todo, quase um jargão. Aqui temos que ler "fora de brincadeira". Sem contar no abuso da expressão "no duro". Antes de ler essa expressão no livro, só tinha ouvido o Silvio Santos usá-la. Fala sério, não é? Mas nada que atrapalhe tanto, confesso.

Agora vamos a algumas tiradas fantásticas do livro:

“- E a vida é um jogo, meu filho, a vida é um jogo que se tem de disputar de acordo com as regras.
- Sim, senhor, sei que é. Eu sei.
Jogo uma ova. Bom jogo esse. Se a gente está do lado dos bacanas, aí sim, é um jogo – concordo plenamente. Mas se a gente está do outro lado, onde não tem nenhum cobrão, então que jogo é esse? Qual jogo, qual nada."

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"De qualquer maneira até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. se houver outra guerra, vou sentar bem em cima da droga da bomba. Vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou."

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“Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, fica querendo ser um grande amigo do autor.

***

     E agora uma referência do universo popular. A seguinte música do Green Day é inspirada na obra de J.D. Salinger. Até segunda feira, falando sobre mais um livro, colegas leitores! Abraço.