terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Brontë


A história de um romance proibido já não era novidade na época do lançamento de O Morro dos Ventos Uivantes (1847), afinal Shakespeare já havia escrito Romeu e Julieta centenas de anos antes. Mas a atmosfera sombria do livro, os personagens violentos e dramáticos e o ambiente desolador, tudo isso unido à uma autora reclusa e problemática que vem a falecer no ano seguinte ao lançamento de sua obra, torna a leitura desse volume, no mínimo, interessante.


    Gosto de falar aqui sobre o porquê de escolher alguns livros pra ler, como se pode conferir no post de O Apanhador no Campo de Centeio. Faço isso pois, apesar da máxima de que um livro não deve ser julgado pela capa, a gente sempre é atraído, pelo menos, pelos que são mais comentados. O Morro dos Ventos Uivantes é considerado um clássico da literatura mundial, mas eu também já comentei aqui que a palavra clássico, se tratando de literatura, não me atrai. Tem que ter algo a mais. E no caso desse livro, o que me levou a alugá-lo na biblioteca da universidade foram, novamente, as histórias em torno dele, que qualquer um tem acesso com muita facilidade em simples pesquisas da internet.
     Wuthering Heights foi fortemente criticado na época de seu lançamento. Chegaram a dizer: "a história se passa no inferno... somente os nomes dos personagens são ingleses.". O livro correu o risco de nem ao menos ser publicado. Emily Brontë, irmã de duas escritoras, foi considerada à época a menos criativa das três. Baniram os livros de diversas bibliotecas na Inglaterra. Os motivos? Pequenos, mas devemos considerar que a época era de muita ignorância no pensamento popular: Personagens obscuros, um desregro pelas questões religiosas, atmosfera tensa e violenta, sem contar mortífera.
     Além do conteúdo do livro, a história da autora (que abordou muitos anseios da sua vida para escrever a obra) também chama a atenção. Precisou conviver com mortes precoces de membros da família, com a bebedeira do irmão mais velho, com os fracassos em tentativas de convívio social e outras experiências que, muito provavelmente, a inspiraram para a criação das personalidades profundas, agressivas, temperamentais das personagens de O Morro dos Ventos Uivantes. Acabou falecendo no ano seguinte ao lançamento de sua mais famosa obra por uma crise de tuberculose.
     Vamos à um resumo da obra:


     Heathcliff e Catherine. De todos os casais que já conheci através dos livros, de longe esse é o que se amou com mais intensidade, e esse amor é de longe o mais destrutivo dos que já li a respeito. A história é toda contada através de um inquilino de Heathcliff, Sr. Lockwood, que decide alugar deste homem  uma terra chamada Thurston Grange, situado no alto de alguns morros da Inglaterra, longe das turbulências da cidade grande. Heathcliff mora em Wuthering Heights, um casarão isolado, um pouco acima de Thurnston Grange. Nessas terras, os ventos fortes e os temporais são constantes e causadores de muitos problemas, principalmente de locomoção. Ao conhecer o seu senhorio, Lockwood se interessa em saber da sua história, pois nunca antes havia conhecido um sujeito tão grosseiro, violento em seus atos e de mal com a vida, e portanto pergunta à serviçal que lhe é disponível, Ellen Dean, se podes lhe contar sobre o passado de Heathcliff. Por sorte, Ellen conhece toda a vida do homem, e aí a história passa a ser a narração dos relatos de Ellen ao Sr. Lockwood.

     Heathcliff era um menino cigano abandonado nas ruas da Inglaterra à pedir esmolas, até que o antigo dono de Wuthering Heights, sr. Earnshaw, resolve levá-lo para casa, para ficar aos seus cuidados. Sr. Earnshaw, ao voltar para Wuthering Heights, apresenta o menino cigano, que dá o nome de Heathcliff (funciona como nome e sobrenome), aos seus filhos naturais, Hindley e Catherine. Heathcliff sofre preconceito dos novos irmãos pela cor da pele, principalmente por Hindley, que o considera apenas um aspirante a usurpador dos bens de seu pai.
     Hindley aplica surras constantes ao irmão adotivo, e Catherine, depois de um tempo, amolece o seu coração por esse tratamento subumano que o pequeno cigano tem na casa, e começa a ser mais condescendente com suas condições. Poucos anos depois, sr. Earnshaw morre, e Wuthering Heights passa a pertencer ao filho mais velho, Hindley. Assim que atingem a juventude, Catherine e Heathcliff vivem uma ardente paixão, que Hindley desaprova. Por causa disso, o novo dono do casarão torna Heathcliff um criado, obrigado à trabalhar para poder sobreviver, e proibido cada vez mais de ver Catherine.
     Essa, por sua vez, conhece Edgar Linton, jovem bem apessoado e rico e, enquanto Heathcliff se afunda em melancolia pelos seus serviços no casarão que o consumem cada dia mais, Catherine faz planos de se casar com Edgar. Heathcliff, ao descobrir isso, desaparece por um bom tempo do morro dos ventos uivantes...

        A partir daqui, não vou dizer mais nada, pra não estragar a leitura... Ou melhor, quase nada.
     Heathcliff, à medida que suas experiências de tortura e censura vão lhe consumindo, torna-se uma pessoa de péssima convivência. Recluso, vingativo, ganancioso, destrutivo. Já Catherine sofre, com os anos, a consequência de ter feito uma escolha errada, e virado às costas aos seus verdadeiros sentimentos, e isso vai aos poucos destruindo e corroendo seus pensamentos.

        Uma das maiores qualidades que eu encontro nessa obra é justamente a construção do temperamento dos personagens após as suas experiências e escolhas. Não existe um personagem bom ou mal, existe um personagem que age de acordo com a vida que levou - e não é assim na vida real também?
     Talvez isso tenha agredido tanto às normas, os valores morais da época. Você não pode culpar Heathcliff de se tornar um verdadeiro demônio com o passar das páginas se ele sofria preconceito na infância, foi traído pelo único e grande amor da sua vida e obrigado a trabalhar pesado por um tirano - que só o era graças as bebedeiras, que o faziam esquecer do falecido amor da sua vida. Também não podes ter raiva de Catherine por se casar com Edgar, se ela paga por essa escolha com uma vida amargurada e miserável. E quando uma sociedade acostumada à atribuir culpas de erros à pessoas más se depara com uma história em que existem apenas personagens reféns de suas escolhas e experiências, obriga-se a culpar é a autora por pensar em um absurdo desses.
        
        A verdade é que O Morro dos Ventos Uivantes cativa pelo clima de tensão que se instala em praticamente toda a obra. Planos de vingança, tomada de posses à força, mortes e mais mortes e, principalmente, a perda da sanidade por tanto sofrimento me faz abrir uma exceção no blog: Não tenho pontos negativos para agregar à essa obra. Alguns diriam que a escrita é antiga e morosa, acaba deixando a história maçante e passível de ser abandonada logo nas primeiras páginas, e eu atribuo à isso um pecado capital: Preguiça. Mas é claro que essa é a opinião do blogueiro, aceito todas as críticas de vocês, colegas leitores, que tiverem argumentos contrários aos meus!

          Vale ressaltar também o valor histórico da obra, já que nos faz compreender os valores e o modo de vida do século XIX. Os serviçais nascem, crescem, envelhecem e morrem servindo. As pessoas adoecem o tempo todo, e isso é até de certa forma banalizado no livro. A impressão que dá é de que as doenças eram muito corriqueiras na época, e se pararmos pra pensar na tecnologia e na higiene da época, é fácil acreditar.

          Frases marcantes de O Morro dos Ventos Uivantes:

"O mundo inteiro é uma terrível testemunha de que um dia ela realmente existiu, e eu a perdi para sempre.." -
Heathcliff

***

"Os meus grandes desgostos neste mundo, foram os desgostos de Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva." - Catherine

***

"O senhor é muito infeliz, não é? Solitário como o demônio e, como ele, invejoso. Ninguém gosta do senhor, ninguém o chorará quando morrer!" - Catherine Linton.

***

     Por fim, a música mais conhecida da cantora Kate Bush tem o nome da obra e é na verdade uma homenagem ao livro Morro dos Ventos Uivantes. Sucesso nos anos 70 (e com um clipe bizarríssimo!). Até semana que vem, amigos leitores!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Harry Potter (toda a saga) - J.K. Rowling

Uma série de livros que incentivou milhões de crianças e jovens à leitura (inclusive eu). Uma autora que tornou-se a mulher mais rica na história da literatura. Uma história que  acabou, mas vive no coração de muita gente. 

     (Esse artigo vai falar sobre todos os livros da série Harry Potter. São eles: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem da Fênix, Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Harry Potter e as Relíquias da Morte)
     
     Tudo bem, pode ser que eu seja suspeito a falar sobre essa série de livros. Pudera, a época da minha iniciação como leitor se confunde com a época dos lançamentos de cada um dos livros de Harry Potter. A espera da publicação do próximo livro pra mim era quase uma eternidade, na qual eu aproveitava para reler duas, três ou até quatro vezes os volumes lançados anteriormente. Mas prometo tentar ser o mais imparcial possível nessa crítica, e até juro apontar defeitos na série.
     É claro que não vou soltar os famosos "spoilers" (talvez um ou outro...), afinal de contas não é pra isso que o blog foi gerado. O blog Mais que um leitor existe pra fomentar a leitura de obras de conhecimento do blogueiro que vos fala e  também para a troca de opiniões, dicas de leitura, críticas e etc. Então se você veio até aqui pra saber mais sobre detalhes nas história dos livros, sinto muito ter de frustrá-lo(a). 
     E é justamente por esse objetivo maior de falar sobre o significado e o que rodeia a história de Harry Potter que eu resolvi escrever sobre os sete livros em apenas um post, como se a história fosse apenas uma (e afinal de contas, é isso mesmo, de fato.). Não temo que haja represálias por falar sobre essa série, pois até agora, mesmo apesar de ser este apenas o terceiro post do blog, falamos apenas sobre livros considerados clássicos da literatura, já com décadas de existência e maior solidez na história das obras literárias, afinal eu já expliquei no post de apresentação do blog que aqui não haveria distinção entre obras, por que no fim das contas o que importa é o que interessa a leitura, os valores que os livros nos transmitem e as sensações que nos passam.
     Antes de mais nada, vamos à um resumo da história do bruxo bilionário!

     
Harry James Potter é um menino magricela, de óculos e com uma bizarra cicatriz em forma de raio no meio da testa. Vive com seus tios pois, segundo eles, seus pais morreram num acidente de carro. Na casa desses tios, os Dursley, ele é muito mal tratado: dorme no armário de vassouras embaixo da escada, só usa as roupas que seu primo Duda cansou de usar, precisa servir a família como se fosse um criado e ainda ouve desaforos a respeito de seus pais o tempo todo. Até o seu aniversário de onze anos ele acredita ser um menino comum e bastante injustiçado, mas uma carta da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts muda toda a sua perspectiva: Harry descobre que é um bruxo, e Hagrid, um meio-gigante que vai até sua casa para entregar essa carta, explica que seus pais também eram famosos bruxos e não morreram num acidente de carro, e sim pelas mãos do temível bruxo das trevas Voldemort.
     Harry é introduzido então ao mundo bruxo e ao seu sistema - com Ministério da Magia, hospitais para cura de feitiços, bancos, lojas de artigos bruxos e claro, Hogwarts, uma Escola de Magia onde aprende-se feitiços e como controlá-los. Nessa escola, Harry faz amizade com outros bruxos, (vale ressaltar a amizade sólida de Rony e Hermione, personagens essenciais para a vida dessa saga), aprende um esporte bruxo chamado quadribol e a cada ano que passa descobre um pouco mais sobre sua história e as coisas que lhe foram escondidas durante a infância.
     Cada livro de Harry Potter representa um ano diferente, e consequentemente um ano escolar diferente também. Para cada livro, Harry vive uma aventura que lhe desafia até os seus limites, e todas essas aventuras são direta ou indiretamente envolvendo Voldemort - bruxo das trevas a que todos julgam estar morto desde que Harry tinha apenas um ano mas, é claro, não é bem assim.

     E pronto, isso é tudo de essencial que uma introdução sobre a saga de Harry Potter poderia ter (ou talvez não, mas é o que eu julguei ser importante, haters gonna hate.). Agora vamos ao mais importante, na visão do blogueiro: A crítica da obra e a elaboração de argumentos sobre o por quê essa saga é tão boa e tão importante de se ler.

     Já ouvi de tanta gente que livros de fantasia eram pura perca de tempo e que esses não agregariam nenhum valor à minha vida que até parei de contar. Pra essas pessoas que, não tenho nenhum receio de falar, são completamente ignorantes em termos de literatura, me faltavam argumentos pois eu deixava a paixão por esses livros me tomarem de um jeito que eu só tinha vontade de rachar uma pedra na cabeça desses sujeitos. Mas não, eu não fazia isso, apenas me calava enquanto ficava vermelho e a veia do meu pescoço latejava.
     Pois bem caros leitores, eu poderia citar uma centena de ensinamentos que Harry Potter transmite implicitamente, através de metáforas ou diretamente mesmo, como os valores da amizade, da fé, da perseverança, entre outros. Mas vamos falar sobre o que de mais importante rodeia as histórias do bruxo, além da própria fantasia que, por natureza, encanta muita gente.
     Na essência, Harry Potter é uma história sobre o bem tentando vencer o mal. Esmiuçando melhor esse argumento: Harry é um menino inocente que antes mesmo de poder se defender de qualquer coisa que seja, é vítima da maldade e perversão de uma entidade maligna que brutalmente tira a vida de seus pais. Quando isso acontece, ele é obrigado a viver sob um regime de opressão dos seus tios. Harry tinha tudo pra ser alguém revoltado e de mal com o mundo, mas ao descobrir um sentido para sua vida e, principalmente, ao conhecer amigos de verdade, ele se enche de esperança e não há mais espaço para amarguras em seus pensamentos.
     Voldemort, quando criança, teve uma vida semelhante a de Harry, mas suas ambições, sua sede pelo poder e seus preconceitos o tornam um tirano incapaz de carregar bons sentimentos em seu coração - vale ressaltar que podemos, aqui, comparar essa história à de Hitler, ou a de qualquer outro tirano que existiu. O lord das trevas deseja chegar ao poder na base da destruição, da opressão, da tortura e da eliminação de raças que não sejam puramente bruxas.
     Durante toda a história, Harry e seus amigos lutam para acabar com as trevas, com o mal. Enfrentam juntos desafios que nenhum bruxo ousara tentar na luta pelo seu ideal. Nesse caminho árduo a ser percorrido, onde muitas outras pessoas tentam desencorajar Harry e quem o apoia, ele vê amigos sendo mortos, vê a ascenção de seus inimigos, vê injustiças sendo cometidas, é acusado de mentiroso perante todo o mundo bruxo, desacreditado... mas nada disso abala a sua vontade de justiça.
     Por essa simplificada e comprimida explicação do que é essencial na história de Harry Potter, já valeria a pena pra qualquer pessoa acompanhar toda a saga. Mas não para por aí.
     As histórias paralelas de personagens secundários, como o atrapalhado Neville Longbottom e o sombrio Professor Snape (de longe, meu personagem preferido) são tão ricas e cheias de vida que nos fazem simpatizar facilmente com esse mundo mágico
   
     Existe um outro ponto principal e que é bastante conhecido dos leitores de Harry Potter: A história dos livros amadurece com o passar dos anos, acompanhando também o amadurecimento dos fãs da série. Harry Potter e a Pedra Filosofal é um livro inocente e mais puxado para um lado divertido - apesar dos seus momentos de obscuridade. Harry Potter e as Relíquias da Morte, o último livro da série, tem uma história sombrio, pesado, carregado de tensão.

     E agora, sobre a autora. Definitivamente ela têm o dom de prender qualquer um com essa história. Ela sabia que detinha uma mina de ouro nas mãos, ou melhor, em sua cabeça, e soube quase que perfeitamente, por entre sete magníficos livros, conduzir os enigmas, mistérios e surpresas. Digo quase perfeitamente por que lá vão alguns pontos que EU considero negativo em Harry Potter:

     (ALERTA DE SPOILER!) Não gostei do surgimento das tais "Horcruxes" lá pelo penúltimo livro. Isso deu um nó em uma história que, já àquela altura, devia muitas respostas aos leitores. Então Harry se vê em uma busca por artefatos que nem ao menos sabe quais são ou como destruí-los, e isso toma um tempo que se torna maçante para os últimos dois livros.
         O penúltimo livro (Harry Potter e o Enigma do Príncipe), por sinal, me aborreceu muito e pareceu inacabável. Só ganhou um pique interessante lá pelos últimos capítulos.
          E o principal ponto negativo: Acabou!!! O último livro da série foi lançado em julho de 2007.

         Como uma conclusão sobre mais essa resenha/crítica/o que você quer chamar, digo que vale a pena a leitura para qualquer idade, seja para seus filhos, seus amigos, seus pais ou avós, Harry Potter é uma série escrita pra quem acredita na amizade, na fé e na perseverança.

        E uma dica mais do que amiga: Foi lançado recentemente uma edição de colecionador para os sete livros, você pode comprar todos por um preço bem acessível. Confira aqui na Submarino.
   
        Algumas frases memoráveis das obras de Rowling:

"São as nossas escolhas, mais do que as nossas capacidades, que mostram quem realmente somos." - Dumbledore em Harry Potter e a Câmara Secreta.

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"O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos." - Sirius Black em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

***

"Não existe o bem e o mal,só existe o poder, e aqueles que são fracos demais para consegui-lo." - Lord Voldemort em Harry Potter e a Pedra Filosofal.

***


     As referências na cultura pop de Harry Potter são conhecidas da maioria. Os livros foram adaptados para 8 filmes, jogos eletrônicos, brinquedos e etc. Conheça agora a banda Ministry of Magic, que faz canções inspiradas na saga de J.K. Rowling:


     Até semana que vem, com mais um livro (ou saga de livros, não é?!) aqui no Mais que um leitor.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger


Mal visto pela sociedade à época, produto da mente de um dos autores mais reclusos da história: conheça um pouco mais sobre a obra de Jerome David Salinger que o consagrou e conquistou o título de um dos 100 melhores livros de língua inglesa lançados no século XX

     É fato que eu só iniciei a leitura dessa obra depois de conhecer as histórias ao redor dela. Pois saiba você, colega leitor, que O Apanhador no Campo de Centeio foi a última leitura em liberdade de Mark David Chapman, o assassino de John Lennon; ele afirmou às autoridades na época que a leitura o inspirou a matar o ex-Beatle. Curiosamente, o atirador que tentou matar o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan também contou que foi inspirado à essa tentativa através da leitura do livro de Salinger, e Robert John Bardo, o assassino da jovem atriz Rebecca Shaeffer, carregava nas mãos, junto com a arma que tirou a vida da moça, uma cópia da obra. Fora essas trágicas histórias, ainda existe uma prova de amor que envolve O Apanhador: O ator Nicolas Cage conseguiu um autógrafo de J.D. Salinger para dar à uma garota como prova de amor, e acredite, lendo a história de reclusão da convivência social de Salinger, você consideraria essa prova tão válida quanto realizar qualquer um dos doze trabalhos de Hércules para conquistar alguém.

     Mas nenhum desses, na minha opinião, curiosos casos que envolveram The Catcher in the Rye me chamou tanto a atenção quanto um detalhe. Um detalhe que para mim, já há algum tempo, mais me atrai para a leitura de uma obra antiga: O livro foi considerado ofensivo para a época, a crítica e a sociedade se revoltaram com a forma tão autêntica de escrever de Salinger e inclusive diversos volumes foram retirados das bibliotecas e livrarias por um longo período. Mas nada como o tempo e a evolução na maneira de pensar dessa tal humanidade pra que estejamos hoje aqui, nesse blog, falando abertamente sobre um grande clássico da literatura mundial. E pra entender melhor dos motivos que a sociedade teve pra censurar o livro, oficialmente publicado em 1951, vamos então, finalmente, saber do que se trata a história, não é mesmo? Eita blogueiro enrolado.

Capa da primeira edição de
The Catcher in the Rye
Todo o livro é escrito segundo a ótica e os pensamentos de Holden Caulfield, um adolescente problemático, cheio de perturbações na cabeça, fumante e beberrão, que não consegue se encaixar em praticamente lugar nenhum a que tenta ser incluído. Logo no começo de seus relatos ele explica que está sendo expulso de mais um colégio - mais especificamente um internato para rapazes - , no qual repetiu em quase todas as matérias. Sem contar nada para seus pais, ricos moradores de Nova Iorque, ele resolve gastar a grana enviada pelos "velhos" em uma excursão pela cidade. Bares, pubs, hotéis, táxis e até mesmo uma prostituta são os motivos pelo qual o dinheiro se esvai por entre os dedos de Holden.

É estranho o quanto o conteúdo do livro pode ser descrito em tão poucas linhas, mas a verdade é que fica muito difícil resumir um livro no qual a essência não são exatamente as situações, mas sim os conflitos de pensamento, os sentimentos e as emoções de Holden. Não a toa, esse personagem - que eu particularmente sou um grande fã, e inclusive uso de plano de fundo para o meu twitter - é considerado um símbolo da juventude transviada, da rebeldia, das turbulências que se passam na cabeça de todo adolescente que ainda não sabe muito bem o que esperar da vida e que não consegue atingir objetivos e aguentar a pressão que a sociedade impõe. 

     Holden xinga todos o tempo todo - em seus pensamentos. Fala mal de todas as bandas que ouve nos pubs, encontra defeitos em todos os seus amigos (em sua maioria, playboys da alta sociedade americana), se mete em situações em busca de um pouco de felicidade que apenas o deprimem cada vez mais, compra bebidas mentindo sua idade para afogar suas mágoas e tenta, o tempo todo, explicar os seus anseios para as pessoas, que nunca o conseguem compreender. A futilidade dos seus amigos o frustra, e não ter ninguém com quem compartilhar essa frustração deixa um vazio grande no peito de Holden, que liga para alguns colegas afim de conversar sobre seus pensamentos, mas ou não é ouvido, ou não é entendido, ou não é respeitado.

     Os pensamentos de Holden mexeram comigo de uma forma que, em determinado momento da leitura, eu sabia o que ele ia pensar. Eu sabia o que ele ia dizer. Eu era Holden Caulfield, e talvez eu já fosse e ainda seja um pouco Holden Caulfield. E provavelmente todo mundo que alguma vez já pensou em como a humanidade consegue nos surpreender negativamente, seja um pouco Holden Caulfield.

     Agora vamos para a avaliação final, com pontos positivos e negativos do livro, segundo a minha opinião (Capitão Óbvio atacou agora, mas às vezes até ele é necessário). De positivo, a forma com que é escrito, ao começar indo direto ao ponto e sem devaneios ou maiores explicações, me impressionou logo de cara. Logo a partir da primeira página você vai acompanhando a vida de Holden, a qual ele conta no passado, como se estivesse ele a escrever o livro. Há momentos em que Holden parece estar ali com você, conversando como amigos, e você se sente até embaraçado com a sinceridade que ele lhe conta os relatos mais íntimos de sua jornada da expulsão do internato até uma passadinha em sua casa para ver sua irmã. O uso de palavrões e linguagem informal é que passa esse realismo e essa naturalidade ao personagem. A história não cansa, é repleta de pensamentos que valem destacar e usar pra vida. As descrições de lugares de pessoas e de pontos de vista que Holden dá quase que fazem fotografias saltarem do livro.

     E só pra não dizer que não há nada de negativo nessa obra, vale comentar sobre a tradução para o português brasileiro. Os principais palavrões são trocados por palavras não tão ofensivas na versão brasileira de The Catcher in the Rye. Um exemplo é a palavra, crap, traduzido no livro como porcaria. Talvez isso não fosse tão grave, se não considerássemos que o livro é conhecido justamente por inovar a forma de se escrever, utilizando esses palavrões e linguagem vulgar. Outra tradução sofrível é a da expressão "No kidding", que Holden usa o tempo todo, quase um jargão. Aqui temos que ler "fora de brincadeira". Sem contar no abuso da expressão "no duro". Antes de ler essa expressão no livro, só tinha ouvido o Silvio Santos usá-la. Fala sério, não é? Mas nada que atrapalhe tanto, confesso.

Agora vamos a algumas tiradas fantásticas do livro:

“- E a vida é um jogo, meu filho, a vida é um jogo que se tem de disputar de acordo com as regras.
- Sim, senhor, sei que é. Eu sei.
Jogo uma ova. Bom jogo esse. Se a gente está do lado dos bacanas, aí sim, é um jogo – concordo plenamente. Mas se a gente está do outro lado, onde não tem nenhum cobrão, então que jogo é esse? Qual jogo, qual nada."

***

"De qualquer maneira até que achei bom eles terem inventado a bomba atômica. se houver outra guerra, vou sentar bem em cima da droga da bomba. Vou me apresentar como voluntário para fazer isso, juro por Deus que vou."

***

“Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, fica querendo ser um grande amigo do autor.

***

     E agora uma referência do universo popular. A seguinte música do Green Day é inspirada na obra de J.D. Salinger. Até segunda feira, falando sobre mais um livro, colegas leitores! Abraço.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Aviso aos leitores!

Como eu havia explicado no post de apresentação do blog, as postagens aqui serão semanais. Toda segunda feira haverá a avaliação de um livro aqui no Mais que um leitor, salvo se alguma calamidade acontecer. Segunda para terça, na verdade, por que eu gosto de escrever pela madrugada mesmo.

Ah, e agradeço o carinho e o apoio de todos que comentaram a respeito do blog por aqui ou pelas redes sociais. Pretendo não desapontar vocês!

Um grande abraço,
Cristóvão.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Quatro de uma só vez!

É isso aí, chego então ao PRIMEIRÍSSIMO post do blog Mais que um leitor

E, como estreia, resolvi fazer uma lista de quatro livros que eu considero uma leitura essencial. Não chamo, portanto, de leitura obrigatória, porque odeio esse termo. Pudera, num país em que a média de leitura de cada habitante é de quatro livros por ano (confira aqui a reportagem, os dados são de março de 2012), falar em leitura obrigatória é praticamente utópico. 

Sem contar que obrigação sempre nos remete, ou pelo menos me remete, à imposição de alguma coisa, à ditadura de certo assunto. Me remete principalmente à época da escola, em que a obrigação eram ler os - ATENÇÃO: a partir de agora você vai conhecer minha opinião sobre alguns "clássicos" da literatura brasileira. Se fores um conservador que acredita que tais obras são intocáveis e quaisquer críticas aos mesmos são praticamente heresias, parodiando Cauê Moura do canal Desce a Letra, "o X do browser é a serventia da casa" - SUPERESTIMADOS livros maçantes e de escrita arcaica da literatura nacional, que provavelmente traumatizaram muitos colegas meus, postulantes a leitores que, a partir da imposição de Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas, O Cortiço e entre outros volumes passaram a olhar um livro como um bicho de sete cabeças.

Por isso mesmo que elaborei essa lista (ao saber da lista que eu faria, disseram-me pra nomeá-la de "pré-requisitos"... pode ser isso mesmo!) , acompanhado dos sentimentos que tive quando li e como minha vida mudou, sem exageros, depois dessas leituras. São livros leves, de leitura relativamente fácil - afinal são livros, e não filmes enlatados ou séries de TV água com açúcar - e de objetivos claros e, em sua maioria, alcançados.

Vamos lá?!

4 - Fernão Capelo Gaivota



Confesso que havia esquecido desse livro por um tempo, mas um amigo postou a capa e a descrição dele no Facebook e logo me veio à memória o quanto eu devo agradecer ao autor Richard Bach por essa verdadeira lição de vida.

A história é a de Fernão , uma gaivota que ama tanto voar e descobrir o que de melhor as suas asas podem lhe proporcionar que não lhe cabe a ideia de que deve fazer isso apenas para migrar ou se locomover: Ele quer mesmo é dar piruetas no ar, fazer acrobacias nunca antes tentadas por membros de sua espécie e desafiar os seus próprios limites.

Por consequência de suas atitudes, seu bando o reprime e, percebendo que não mudaria de pensamento, o banem de seu clã. A partir daqui, não vou estragar a sua boa leitura!


Eu consigo pensar em diversos exemplos de como essa história pode ser interpretada de modo a mudar os pensamentos e o modo de viver de uma pessoa, mas eu vou citar apenas o que eu, assim que terminei de lê-la, mais levei para mim: Nunca aceitar uma vida estável na qual os perigos são extintos e os desafios são insignificantes se isso significa deixar de lado os seus sonhos, os seus anseios, aquilo que você acredita ser certo.

3 - As Aventuras de Tom Sawyer


É certo que o carinho que tenho por esse livro é, em especial, por ter sido um presente de meu padrinho. No dia do meu aniversário de onze anos ele me presenteou e disse: "Tá aqui um livro que toda criança deveria ler". Eu vou ser um padrinho exatamente como ele, juro!

Tom Sawyer é o clássico moleque: um menino esperto e malandro que compensa sua pobreza e falta de instrução com sua lábia. Em uma cena muito fresca na minha memória (lá se vão dez anos desde que li esse volume!) Tom fica de castigo e deve, portanto, pintar toda a cerca de sua casa.  Para se livrar do trabalho, Tom tem a ideia de fazer com que seus amigos a pintem, e para isso ele usa o seguinte truque: Diz a todos que é muito divertido pintar a cerca, e que é um prazer fazer isso e uma felicidade imensa ter uma cerca tão grande pra pintar, e até mesmo sentia pena dos amigos por não terem uma cerca pra pintar também. Logo eles caem na lábia de Tom e pintam a cerca toda para ele.

Essa cena é praticamente um resumo do que é encontrado no livro todo: Uma criança inocente, cheia de vida, descobrindo os verdadeiros valores da amizade e com o único objetivo de ser feliz. É disso que meu padrinho estava falando, toda criança, aos olhos dele, deveria ter um pouco da malandragem e muito da inocência de Tom Sawyer, e talvez tivéssemos adultos melhores por aí.

2 - A Revolução dos Bichos


1984 seja talvez a obra mais conhecida de George Orwell, livro que fala sobre uma sociedade em regime ditatorial, vigiada vinte e quatro horas por um sistema de governo repressor (é desse livro que surge o conceito Big Brother, que décadas mais tarde inspiraria a criação do reality show homônimo), mas é dele também um dos livros que me ajudaram, de criancinha, a compreender um pouco melhor os jogos políticos, a ganância, a luta pelo poder.

A história de A Revolução dos Bichos começa com um leitão velho de nome Major a morrer de doença em uma fazenda. Como nessa história todos os bichos se comunicam (pelo menos entre si), logo antes da morte Major anuncia aos amigos cavalos, marrecos, galinhas, entre outras espécies, o sonho de que um dia os animais possam acabar com a tirania do homem e viver livres, independentes, partilhando entre si tudo o que fosse produzido.

Assim que Major morre, os outros animais lutam para que o sonho do velho porco se concretize. No entanto, assim que os homens são afastados da fazenda e os animais tomam conta, um porco chamado Napoleão inicia um sistema ditatorial na fazenda que chega a ser tão ou mais tirano que quando eram os homens a comandar.

Numa clara referência à fraqueza do sistema socialista, esse livro ensina a qualquer um sobre como um ideal que, a princípio, parece ser a solução para os problemas de todos, pode ser utilizado para causar ainda mais desgraça, revolta e martírio à sociedade já que, é frase clichê, o poder corrompe.

1 - O Pequeno Príncipe


Ouvi recentemente de alguém muito especial que esse é o "livro das misses", do tanto que as aspirantes à Miss Alguma Coisa, Garota Qualquer Coisa, ou seja, as mulheres que destinam receber o título de maior beleza de qualquer lugar que seja apontam esse livro como  o favorito. Eu prefiro acreditar que esse frisson pela obra de Antoine de Saint-Exupéry não é pelas adoráveis figuras que ilustram a obra e enchem páginas com suas belezas peculiares - gravuras essas produzidas pelo próprio autor - , e sim pelo principal: seu conteúdo extremamente tocante, intrigante e capaz de sensibilizar a mais severa horda de bárbaros.

Em um planeta muito pequenino vivia, sozinho, um menino de cabelos cor de ouro, solitário em seus pensamentos, até que uma rosa nasce em sua terra. Ele logo se apaixona por esse novo ser: Cuida dela como se fosse sua vida, atende a todos os seus caprichos (a rosa fala com ele) e, afim de acabar com as ervas daninhas que estão a crescer por volta de sua amada rosa, ele parte para a Terra em busca de um carneiro que coma essas ervas. Lá ele encontra um aviador e pede para que ele lhe desenhe um carneiro. Depois de atendido o pedido, ele conta a sua história ao aviador: Os planetas os quais passou, o seu encontro ÉPICO com uma raposa, o seu desespero ao encontrar uma plantação com diversas rosas iguais a sua (ou nem tanto), entre outras desventuras.

Aqui sim, irmãos leitores, fica difícil apontar a infinidade de exemplos que esse livro deu à minha vida. Em cada passagem, em cada capítulo, em cada parágrafo desta obra é possível retirar um ensinamento valioso capaz de fazer qualquer um crescer como ser humano - desde os alertas da destruição pessoal que causa a bebida alcoólica até a importância de se cultivar o amor e a amizade. É possível que, mesmo que você ainda não tenha lido o livro ou alguma referência do mesmo, tenha esbarrado com alguma citação do volume pelas redes sociais, como os épicos ensinamentos da Raposa: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", ou "só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos". Sinceramente... apelo pessoal: Leia este livro.

E esse sim é o meu, se posso assim dizer, top 4 de livros que aumentaram o meu apetite pela leitura e as minhas referências de obras literárias que não canso de recomendar a quem quer que seja.

Espero que você tenha gostado e, por favor, deixe sua opinião, crítica ou qualquer manifestação de que leu esse artigo, logo abaixo desse post! Sou eternamente grato.

Um abraço!

Ah, e uma coisa que sempre vou tentar fazer: Deixar em todos os posts uma música que seja inspirada ou faça alguma referência às obras/autores citados!



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Não subestimando os leitores...

O título escolhido para o blog, "mais que um leitor", não significa que estou a depreciar os leitores (como eu poderia fazer isso, se sou um leitor já há tanto tempo? Nem sequer me lembro da minha vida antes de ser um leitor), ou dizer que sou/pretendo ser mais importante do que um leitor. 

Não, o título é este por que as minhas pretensões com esse blog são de retribuir pelo menos um pouquinho do que os livros tem me proporcionado ao longo de minha vida, a partir de críticas e resenhas que farei de alguns volumes que já li.

Permitam-me que eu me apresente! Me chamo Cristóvão Vieira Oliveira, e até a data deste post eu tinha vinte anos de idade e era acadêmico de Jornalismo, iniciando o quinto semestre da graduação. É provável que até o curso que estou fazendo tenha sido influenciado pela paixão por ler e escrever, nunca parei pra ponderar isso, e agora não estou com vontade de fazê-lo.

E agora sobre o que você, que está lendo esse blog, pode esperar do mesmo:

  • NÃO serei condescendente com livros que li e achei uma tremenda chatice apenas porque são clássicos da literatura de sei-lá-onde.

  • NÃO subestimarei livros que uma maioria acredita, sem sequer ter lido, que são de uma escrita pobre e indigna de crítica, apenas por serem de gêneros que alguns metidos-a-besta julgam não ter importância, como livros de fantasia, ficção científica e/ou policial. (Isso são exemplos...)

  • Aceito dicas de livros pra que eu possa ler e criticar. (Aliás, se quiserem me presentear com esses livros, agradeço. Hahahaha...)


Pretendo realizar no mínimo uma atualização semanal.

E acredito que é isso mesmo tudo o que eu posso escrever para introduzir a existência desse blog.

Espero de coração que todos apreciem, comentem, critiquem as críticas (!) e enfim, que o blog Mais que um leitor possa, de alguma forma, inspirar, cativar e instigar os leitores de todo canto.

Abraços,
Cristóvão.

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